



Os
guaranis são o maior povo indígena do Brasil com cerca de 70 mil pessoas.Este
povo sempre se organizou em grupos, que caminhavam por toda a região sul da
América do Sul. Para os guaranis a terra onde vivem é a Tekohá, que significa “
o lugar onde realizamos nosso modo de ser” e é, antes de tudo, um espaço
sociopolítico. Atualmente, no estado do Mato Grosso do Sul vivem mais de 45 mil
guaranis, sendo em sua maioria do subgrupo Guarani-Kaiowá.Situação
de Violação de Direitos Humanos.Entre
1915 e 1928, algumas terras indígenas foram demarcadas com tamanhos reduzidos,
sem levar em consideração o modo de vida Guarani e em diálogo com interesses
econômicos e desenvolvimentistas da região. A situação se agravou nas décadas
de 1970 e 1980, quando foi iniciada a plantação de soja no Mato Grosso do Sul,
que aumentou o confinamento físico das terras indígenas. O que também dificulta
a regularização dos territórios é o loby e o investimentos do capital nacional
e um crescente interesse do capital internacional na produção de etanol, com a
implantação de 40 novas usinas de cana de açúcar na região.

Em
2007 um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) foi assinado entre a Fundação
nacional do Índio e o Ministério Público Federal para a identificação e
delimitação de terras Guarani-Kaiowás. O TAC não saiu das fases iniciais, como
a publicação dos laudos antropológicos, previstos para 2009, e os pareceres e
provas de reconhecimento de terras indígenas, que deveriam ter sido concluídos
em 2010. Não existem justificativas plausíveis para tal morosidade, pois não há
nenhum impedimento jurídico que impossibilite a realização do trabalho.
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| Desnutrição afeta 600 crianças indigenas no MS |
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| Ato em Dourados pela Demarcação das Terras Indigenas |
falta do território faz com que milhares de Guaranis vivam confinados em
pequenas reservas, que não garantem o mínimo necessário para subsistência da
população. Outras centenas estão acampadas em beiras de estradas, do lado de
fora do seu território ancestral. Isto gera insegurança alimentar e
desnutrição, que segundo a Fundação nacional de Saúde afeta pelo menos 600
crianças indígenas no Mato Grosso do Sul. A falta da expectativa de viver na
“terra sem males” resultou no suicídio de 555 Guaranis no últimos 10 anos, um
por semana.
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| Ato em Dourados pelos Direitos Indígenas |
Em
2010 foram registrados 36 assassinatos e 11 tentativas de assassinatos de
indígenas envolvidos nas lutas por direitos territoriais, o que revela a
omissão estatal em garantir a integridade e a vida dos membros políticos e
religiosos da comunidade. Todos os casos permanecem sem solução por parte das
autoridades responsáveis pela condução dos processos, o que tem gerado
indignação nas comunidades e familiares e fazem com que as ameaças continuem.
Atualmente
existem mais de 80 processos na Justiça Federal que visam impedir a demarcação
do território Guarani. Durante o governo Lula foram homologados três
territórios guaranis, mas dois deles tiveram a ocupação suspensa por liminar do
Supremo Tribunal de Justiça (STF): Nanderu Marangatu, em 2006, e Arroio Korá,
em 2009. Não há previsão de julgamento por parte do STF.
Fonte:
Panfleto - CIMI - Conselho Indigenista Missionário
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